Numa tentativa de uma melhor apreensão das datas e acontecimentos que marcaram a percurssora Revolução Americana, aqui se encontra uma linha do tempo com os seus principais marcos (é necessário clicar para ver em tamanho maior).
Este blogue foi criado no âmbito da disciplina de História A (11º ano - Escola Secundária Almeida Garrett). Servirá para divulgar informação acerca de dois temas em particular: a Revolução Americana e as transformações no regime político em Portugal.
domingo, 20 de março de 2011
- A Revolução Americana: O Nascimento dos Estados Unidos da América
O acordo entre os Estados Americanos, agora livres, chega em 1787, com a assinatura da Primeira Constituição Americana.
Nova Iorque, 30 de Dezembro de 1787
Caro amigo,
Finalmente os nossos representantes chegaram a acordo. Assinaram a Primeira Constituição Americana que institui a nossa jovem nação: os Estados Unidos da América!
A partir deste documento, os nossos territórios passam a ser governados sob a forma de uma República Federal, ou seja, um Estado central poderoso que controla a defesa e as relações internacionais e vários Estados federados cuja autonomia se reflecte na justiça, na administração, no sistema de ensino e na autoridade policial.
A organização do nosso Estado Central é a seguinte:
- O Poder Legislativo pertence ao Congresso (dividido em duas câmaras, a dos Representantes e o Senado), que vota as leis e o orçamento;
- O Poder Executivo pertence ao Presidente, que comanda os exércitos e escolhe o governo;
- O Poder Judicial pertence aos Tribunais Inferiores e ao Tribunal Supremo (composto por nove membros inamovíveis eleitos pelo Presidente), que regula os conflitos entre os Estados.
A Constituição que já referi é, claramente, influenciada pelas novas ideias Iluministas, sendo que institui a Divisão de Poderes (como já o referi), a rotatividade dos cargos (de que são exemplo a Câmara dos Representantes que é composta por membros escolhidos a cada dois anos pelo povo dos Estados e o Presidente e o vice-presidente que têm um mandato de 4 anos), as liberdades e garantias dos cidadãos, a soberania nacional (com a possibilidade de exercer o voto) e, por fim, como já o informei anteriormente, estabelece um novo modelo político: um conjunto de Estados confederados com alguma autonomia que obedecem a um Estado central forte, a República Federal.
De facto, preparamo-nos, agora, para viver sob os ideais das Luzes que, durante tanto tempo, nos foram negados pela nossa metrópole.
A nossa jovem nação ergue-se agora e o futuro acena-nos, brilhante.
Sem nada mais a acrescentar, expresso a minha sincera alegria para com os acontecimentos que se desenrolaram...
Do seu amigo,
C.C.
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| Fig. 1 - Primeira Constituição Americana (1787) |
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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sábado, 12 de março de 2011
- A Revolução Americana: O Acordo de Paz
Após a vitória das forças americanas na Batalha de Yorktown em 1781, a Inglaterra decidiu-se pelas negociações de paz, assinando, em 1783, o Tratado de Versalhes.
Nova Iorque, 30 de Dezembro de 1783
Caro amigo,
A liberdade é nossa!
No passado dia 3 de Setembro deste ano de 1783, a Inglaterra assinou o Tratado de Versalhes, no qual reconhece a nossa independência e o nosso direito de colonizar os territórios a ocidente do Mississipi.
Para além disso, entrega-nos o território compreendido entre os Grandes Lagos, o Oaio, o Mississipi e os Montes Apalaches.
A obtenção deste documento não foi fácil: foi necessário um ano inteiro de negociações.
Com este acordo, tornamo-nos o primeiro estado americano independente depois da chegada das nações europeias ao chamado "Novo Mundo".
Esta vitória, mais do que merecida, colocou agora os nossos Estados e líderes em discussão: deveremos formar uma federação descentralizada em que cada um dos Estados que compõem a nossa recém-nascida pátria seja patricamente autónomo ou, por outro lado, deveremos investir na criação de um governo central forte que regule a vida destes Estados?
É do conhecimento geral que, a primeira opinião é defendida por estados de menores dimensões, como Delaware, Geórgia ou Nova Jérsia, apoiados no deputado da Virgínia e redactor da Declaração da Independência, Thomas Jefferson. Por seu lado, a defesa da criação de um Estado central forte apoia-se no Comandante-chefe das forças americanas libertadoras, George Washington e dos Estados de maiores dimensões, como Nova Iorque e Pensilvânia.
Na minha opinião, um Governo central que dispusesse das ferramentas e meios adequados à regulamentação geral de todo o território seria muito benéfico, em vez de Estados independentes que agissem conforme as leis de cada um.
Porém, tal decisão cabe, agora, aos representantes dos nossos Estados e aguardamos com grande expectativa o desenrolar dos acontecimentos que, com certeza, irão marcar o nascimento da nossa pátria e nação.
Sem mais de momento, despeço-me...
C. C.
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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terça-feira, 8 de março de 2011
- A Revolução Americana: A Figura de George Washington
George Washington foi uma importante figura na conquista da independência das colónias inglesas da América do Norte. Foi nomeado comandante-chefe das forças americanas, conduziu-as durante a Guerra da Independência e, após a vitória americana foi eleito o primeiro presidente da jovem nação dos Estados Unidos da América.
Aqui se encontra uma pequena biografia desta personalidade.
George Washington nasceu a 22 de Fevereiro de 1732 na Virgínia, colónia inglesa da América do Norte. Cresceu no seio de uma família tradicional abastada, o que lhe possibilitou uma educação bastante completa.
Aos dezoito anos apenas tornou-se zelador das propriedades pertencentes a Shenandoah Valley e, mais tarde, das de um condado inteiro (Culpeper). A sua carreira militar foi marcada pela participação na guerra travada contra os exércitos franceses que pretendiam o domínio territorial do vale do Ohio, entre 1754 e 1763, permitindo-lhe o conflito ascender no exército inglês pela primeira vez.
Apesar de ser cidadão inglês e de ter combatido no exército desta nação, Washington foi um dos muitos colonos americanos que se mostraram descontentes face ao domínio e abusos ingleses sobre as colónias da América do Norte. Foi durante a onda de protestos e contestação que Washington iniciou a sua carreira política. Este início tomou lugar na oposição da Assembleia da Virgínia, que contestava a opressão inglesa, o agravamento das taxas impostas sobre mercadorias como o chá, o açúcar e o melaço e a aplicação do imposto de selo, o ‘’Stamp Act’’.
Descontente com a situação das colónias, representou o seu estado, a Virgínia, no Primeiro Congresso de Filadélfia, em 1774. Durante este congresso discutiu-se a situação criada pela Inglaterra e tomaram-se medidas de combate à mesma. No segundo congresso, foi eleito para o comando do exército que seria formado para a posterior Guerra da Independência, travada entre 1775 e 1783. Reunido o exército, Washington venceu as batalhas de Trenton e Princeton, em 1776. A posterior entrada da Espanha e da França como apoiantes dos exércitos americanos, foi decisiva para a vitória dos colonos, consolidada na batalha de Yorktown, no ano de 1781.
Com o reconhecimento da independência dos territórios americanos pelo Governo inglês (1783), George Washington presidiu a Convenção Constitucional da Filadélfia, em 1787 e, dois anos depois, fez com que a nova Constituição Americana fosse aprovada pela totalidade dos estados. Foi nesse mesmo ano, no dia trinta de Abril, que se tornou o primeiro presidente da jovem nação, os Estados Unidos da América. Cumprido o mandato de quatro anos, foi novamente eleito, tendo recusado a terceira reeleição com o objectivo de promover a rotatividade dos cargos políticos. Sucedeu-lhe Thomas Jefferson.
Washington foi ainda fundador de uma cidade (1793), baptizada com o seu próprio nome, empreendedor de uma política de desenvolvimento económico com base capitalista e apoiante da colonização das áreas pertencentes aos índios (como o Tenessee e o Kentucky).
Em 1794, assinou um acordo de paz com a antiga metrópole, o ‘’Jay’s Treaty’’, despoletando o descontentamento do partido democrático do seu sucessor na presidência americana, que considerava o tratado uma ingratidão face à nação francesa que havia auxiliado o exército colonial americano na Guerra da Independência. A sua acção fez despoletar a ‘’Revolta do Whiskey’’, no Estado da Pensilvânia. George Washington casou com a viúva Martha Dandridge Custis e faleceu a 14 de Dezembro de 1799 na propriedade herdada de um meio-irmão, em Mount Vernon.
- Fonte:
- A Revolução Americana: O Final da Guerra
As ajudas europeias da França e da Espanha foram decisivas para a vitória das forças americanas sobre os exércitos ingleses. O final da guerra foi ditado pelas sucessivas derrotas da metrópole, culminando em 1781 com a Batalha de Yorktown.
Nova Iorque, 20 de Outubro de 1781
Caro amigo,
Esperamos agora o acordo de paz.
Nova Iorque, 20 de Outubro de 1781
Caro amigo,
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| Fig.1 - General Rochambeau, um dos líderes da Guerra da Independência das colónias americanas. |
Ontem, dia 19 de Outubro, as tropas inglesas renderam-se na batalha de Yorktown. Esta batalha foi o culminar da guerra e foi comandada pelos generais George Washington e Rochambeau (à frente das forças americanas e francesas). Estes trabalharam em conjunto com uma frota francesa comandada pelo almirante François Joseph Paul, conde de Grasse, cercando as tropas inglesas comandadas pelo general Charles Cornwallis. O cerco às tropas britânicas durou vinte dias e o general Cornwallis rendeu-se devido à demissão do primeiro ministro inglês, o Conde Frederik North. Esta situação levou ao poder em Inglaterra líderes menos radicais e mais conciliatórios.
| Fig. 2 - General Charles Cornwallis, comandente das forças britânicas. |
Porém não foi somente esta derrota que contribuiu para a nossa vitória. De facto, as ajudas estrangeiras foram-nos muito úteis, indispensáveis até. Inglaterra foi enfraquecendo devido às constantes derrotas que foi sofrendo, por exemplo, em batalhas navais na costa de Índia, pelos franceses ou pelos sucessivos ataques de que foi alvo no Mediterrâneo por parte de franceses e espanhóis.
Esperamos agora o acordo de paz.
Sem mais de momento.
C.C.
Fig. 3 - Mapa da Batalha de Yorktown. Na legenda pode ler-se: ''Na última semana de Setembro, 1781, as tropas francesas e americanas estavam reunidas em Williamsburg´ e a investida de Yorktown começou a 28 de Setembro.'' |
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| Fig. 4 - Episódio da Batalha de Yorktown. |
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| Fig. 5 - Episódio da Batalha de Yorktown: o General Cornwallis rende-se em Yorktown. |
- Fonte:
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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sábado, 5 de março de 2011
- A Revolução Americana: A Guerra da Independência (cont.)
A Guerra da Independência entre as colónias americanas e a metrópole inglesa estendeu-se de 1775 com a Batalha de Lexington a 1783 com a assinatura do Tratado de Versalhes. Verificou-se a vitória americana cujas forças foram apoiadas por aliados europeus, como a França e a Espanha.
Nova Iorque, 12 de Novembro de 1778
Caro amigo,
A vitória que tão seguramente esperava, parece cada vez mais distante. As nossas forças em nada se comparam à organização, armamento e disciplina do exército inglês.
Por essa razão, como já referi, foi nomeado comandente-chefe George Washington e empreende-se na Europa uma forte acção diplomática. Os resultados estão à vista: chegou o apoio francês e o da sua aliada Espanha.
A França, no princípio, não se quis comprometer connosco, mas, após a Batalha de Saragota no ano passado (no qual as nossas forças venceram um pequeno exército inglês), repensou uma aliança oficial e juntou-se à nossa causa, enviando homens, armas, barcos e dinheiro. Esta ajuda surgiu, provavelmente, pela vontade de desforra face à Inglaterra que venceu a França na Guerra dos Sete Anos.
Por sua vez, a Espanha juntou-se à sua aliada e contribuiu com dinheiro e com o envio de uma esquadra.
Prometo informá-lo dos próximos acontecimentos desta que poderá ser a guerra da nossa libertação.
Seu amigo,
C.C.
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
- A Revolução Americana: A Declaração da Independência
Nova Iorque, 5 de Julho de 1776
Caro amigo,
Escrevo-lhe para lhe contar mais novidades acerca da guerra que aqui se trava. Parece que a vitória está à vista. Ontem, dia 4 de Julho, foi aprovada no Congresso de Filadélfia, a Declaração da Independência, redigida pelo deputado da Virgínia, Thomas Jefferson.
Esse ilustre documento foi escrito com base nas ideias dos filósofos iluminados e assegura-nos garantias e direitos, próprios de uma nação livre.
- Em primeiro lugar, assegura-nos o Direito à Igualdade e à Independência, como Leis da Natureza, quando afirma que ''todos os homens nascem iguais'' e que, os nossos territórios têm o direito de ''tomar entre as potências da Terra o lugar de independência e de igualdade a que as Leis da Natureza e o Deus da Natureza lhe dão direito''.
- Depois, defende a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade, isto é, os direitos naturais, como inalienáveis, quando escreve que o nosso Criados nos dotou ''de certos direitos inalienáveis, entre os quais a Vida, a Liberdade e a procura da Felicidade''.
- De seguida estabelece a Soberania Popular, que pode ser exercida através do voto;
- Institui, ainda, a Divisão de Poderes e o Contrato Social, exercido através do direito dos governados de deporem um governo que não os represente como é devido.
- Por fim, rejeita veemente o ''despotismo absoluto''.
Este é um grande passo no caminho para a independência, esperemos que seja suficiente.
Seu amigo,
C. C.
P.S.: Envio uma cópia da dita Declaração, para que a possa ler.
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| Fig.1 - Declaração da Independência dos E.U.A. (1776). |
- Fonte:
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto EditoraApontamentos do Caderno
sábado, 5 de fevereiro de 2011
- A Revolução Americana: A Guerra da Independência
Os abusos da coroa inglesa, os impostos sobre os produtos, o monopólio comercial da Companhia das Índias, a falta de representação no Parlamento Inglês... Tudo contribuiu para que, em Abril de 1775 soassem os primeiros tiros da Revolução.
Nova Iorque, 11 de Julho de 1775
Caro amigo,
As colónias e Inglaterra estão, definitivamente, em guerra. Já não é possível voltar atrás.
No passado mês de Abril, a população da pequena aldeia de Lexigton, perto de Boston, atacou uma milícia inglesa, enviada para apreender armas ilegais.
Em resposta, o rei inglês enviou tropas para por termo à insurreição. Reina, agora, um clima de guerra e nós, americanos, lutamos pela nossa independência. Penso em, talvez, juntar-me ao exército. Não creio que as nossas forças tenham grande hipótese face ao disciplinado e bem armado exército da Inglaterra e, por isso, penso que toda a ajuda é necessária.
Entretanto, já os meus compatriotas trataram de resolver a questão, escolhendo para comandante-chefe do nosso exército um homem instruído e bom militar, chamado George Washington.
Deves também ter ouvido falar da forte acção diplomática, que se faz já sentir aí na Europa. A aposta é nesse sentido, para que consigamos angariar apoios europeus.
Fig.1 - Batalha de Lexington Esperamos obter a ajuda europeia em breve para que possamos levar a cabo a justa guerra da nossa independência. Sem mais, de momento, despeço-me. C. Carter - Fonte: ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora Apontamentos do Caderno |
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
- A Revolução Americana: Síntese dos Antecedentes da Revolução
Para os que quiserem sistematizar os conhecimentos até aqui abordados, aqui está uma síntese dos antecedentes da Revolução Americana, em forma de esquema (é necessário clicar para ver maior).
- Revolução Americana: Reacção das Colónias (cont.)
O protesto das colónias não cessou e culminou num episódio denominado ''Boston Tea Party'', que o nosso correspondente americano descreve na sua carta.
Nova Iorque, 2 de Outubro de 1774
Caro amigo,
Tal como já lhe tinha dito em cartas anteriores, Inglaterra e as colónias estão em constante desacordo. Quando lhe disse que o Governo inglês revogou as taxas alfandegárias impostas, à excepção das do chá, disse-lhe que esperava uma rebelião. E aconteceu.
16 de Dezembro de 1773, um grupo de jovens americanos disfarçados de índios lançou ao mar a carga de chá de vários navios da Companhia das Índias. Este episodio ficou conhecido como ''Boston Tea Party'' e desencadeou a ira rei Jorge III, que mandou fechar o porto de Boston e exigiu o pagamento de elevadas indemnizações.
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| Fig.1 - Representação da ''Boston Tea Party'' |
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| Fig.2 - Representação da ''Boston Tea Party'' |
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| Fig.3 - Congresso de Filadélfia |
Porém, começamos a organizar-nos para combater a nossa metrópole, reunindo armas, formando e treinando milícias e criando comités de correspondência. À frente desta onda de contestação, encontram-se as colónias da Virgínia e de Massachusetts, que são as mais ricas e com maior densidade populacional. À medida que o tempo passa, temos vindo a assistir a um recuo dos adeptos da reconciliação com Inglaterra e a um radicalizar das opiniões.
Com todo o dispositivo organizado posso, convictamente, afirmar que acontecimentos decisivos estão para breve. Conquistaremos a nossa liberdade ou continuaremos sob a alçada inglesa? Eu próprio me questiono...
De qualquer forma, sou a favor da liberdade e espero a vitória dos meus compatriotas.
C. C.
- Fonte:
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editorawww.infopedia.pt
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editorawww.infopedia.pt
sábado, 4 de dezembro de 2010
- Revolução Americana: Reacção das Colónias
Como foi já referido, a metrópole inglesa despoletou o descontentamento entre os territórios da América do Norte, tomando uma série de medidas que não foram bem aceites pelos colonos.
Assim, estes decidiram tomar uma atitude.
A carta seguinte que o colono burguês enviou relata esse mesmo acontecimento.
Nova Iorque, 30 de Abril de 1770
Caro amigo,
Desde já agradeço a garrafa de vinho do Douro que, generosamente, me enviou. Devo admitir que não sei como o fez, já que, sob esta política mercantilista de exclusivo colonial é proibida a importação de produtos aí da Europa sem que estes passem por Londres. De qualquer forma, agradeço.
Tenho mantido correspondência com outros seus compatriotas e, pelas notícias que recebo parece-me que Portugal atravessa, com a sua economia nas mãos do Marquês de Pombal, um período bastante próspero! Por aqui a situação não é tão risonha. Tal como tinha previsto, os habitantes destas colónias tomaram uma atitude e a situação afigura-se negra.
Para começar, estamos extremamente desagradados por não termos representantes no Parlamento de Londres. Sendo cidadão ingleses, achamos que tal deveria acontecer. Sem representação os impostos colocados sobre nós são ilegais,prejudicam a nossa vida económica e ameaçam os nossos direitos políticos.
Decidímos, então, reunir o Stamp Art Congress em Nova Iorque, há cinco anos e chegámos à conclusão que, sem representação no Parlamento, nada nos podia ser imposto.
Algum tempo depois, no porto aqui de Nova Iorque, Boston e Filadélfia, os comerciantes começaram a boicotar as mercadorias da metrópole, contrabandeando produtos estrangeiros.
Simultaneamente surgiram associações de operários, Os ''Filhos da Liberdade'', que obrigavam os distribuidores de papel selado a demitirem-se.
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| Fig.1 - Representação do ''Massacre de Boston''. |
Perante a nossa atitude e devido ao sangrento episódio conhecido como ''Masacre de Boston'' (primeiro confronto violento entre Inglaterra e América que aconteceu a 5 de Março: as tropas inglesas dispararam sobre colonos que, enraivecidos, se manifestavam contra os impostos), o Governo londrino decidiu revogar as taxas alfandegárias, precisamente no mês passado, à excepção das que incidiam sobre o chá. O descontentamento não podia ser maior: é que, para além destas taxas, a Companhia das Índias Orientais detém o monopólio da venda de chá e impede os nossos comerciantes de lucrar com o transporte e revenda do produto na América!
Receio, convictamente, que toda esta situação não acabe bem e se levante uma revolução ou uma guerra...
Para já, decidi manter a esperança e acreditar num recuo do Governo de Sua Majestade face às actuação que tem tido para connosco.
Seu amigo,
C. C.
P.S. - Envio-lhe em anexo alguns documentos que recolhi relativos aos Filhos da Liberdade (os textos são folhetos da associação e a imagem demonstra, claramente a sua forma de actuação). Pensei já em apoiá-los, mas considero a sua actuação algo violenta.
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| Fig. 2 - Folheto dos ''Filhos da Liberdade''. |
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| Fig. 3 - Folheto dos ''Filhos da Liberdade''. |
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| Fig. 4 - Modo de actuação dos ''Filhos da Liberdade''. |
- Fonte:
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
ROSAS, Maria Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 1ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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- Revolução Americana: Causas e Antecedentes
Desde os finais do século XVIII (aproximadamente a partir do ano de 1770) até aos finais do século seguinte (aproximadamente 1850), verificaram-se, quer em território europeu, quer em americano, uma série de movimentos político-sociais influenciados pelas ideias liberalistas do Iluminismo. Estes denominam-se Revoluções Liberais e caracterizam-se pelo seu carácter contestatário, pelo recurso às armas e pelo facto de estabelecerem reformas institucionais, tais como:
- O fim do regime absolutista e da sociedade estratificada;
- A consagração dos direitos naturais do ser humano, da soberania popular e da divisão de poderes;
- A implementação da livre iniciativa em questões económicas;
- A libertação das nações do domínio colonial e estrangeiro.
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| Fig. 1 - As treze colónias inglesas da América do Norte. |
Exemplo de um desses movimentos é a Guerra da Independência da América que ocorreu entre 1775 e 1783 nas treze colónias inglesas da América do Norte e que se caracterizou por ser um movimento cujo principal motor foi a Burguesia colonial.
Aqui encontra-se a primeira carta do colono burguês Charles, residente em Nova Iorque que relata ao seu correspondente português os acontecimentos que levaram à rebelião dos seus compatriotas.
Nova Iorque, 12 de Janeiro de 1768
Caro amigo,
Escrevo-lhe para o pôr a par dos recentes acontecimentos aqui na Nova Inglaterra.
Eu (e a maioria dos residentes destes territórios) estou descontentíssimo com a atitude tomada por Sua Majestade, o rei de Inglaterra.
A primeira fase das nossas discórdias residiu no término da Guerra dos Sete Anos, há cinco anos atrás. Durante este conflito, usufruímos da protecção da metrópole face às vizinhas colónias francesas e, por essa razão, estamos satisfeitos com a Coroa inglesa, que teve, inclusive, oportunidade de proceder a uma expansão dos seus territórios através da apropriação de possessões francesas (particularmente o Canadá, o vale do Oaio, a margem esquerda do rio Mississipi, algumas Antilhas, as feitorias africanas do Senegal e uma boa parte dos territórios indianos).
Assim, após o desaparecimento da concorrência francesa, vimo-nos confrontados com uma grande oportunidade de expansão para oeste, porém, o Governo londrino determinou que nenhuma nova colonização ou exploração poderá ser feita nesses territórios sem o consentimento dos povos autóctones, por recear o desencadeamento de conflitos com as nações índias.
Outra das causas que conduziu ao nosso descontentamento foi a aplicação de impostos para cobrir os elevados gastos de guerra que o Governo de Sua Majestade suportou. Deste modo, o Inglaterra impôs-nos um conjunto de taxas aduaneiras, votadas pelo Parlamento Britânico entre 1764 e 1767, que incluem impostos sobre produtos como o melaço (para produção de rum), chá, açúcar, café, têxteis, papel, vidro e chumbo, sendo que alguns destes são essenciais à economia e à subsistência dos nossos territórios. Ao mesmo tempo aplicou um imposto de selo, o '' Stamp Act'' (no ano de 1765), sobre os documentos legais e as publicações periódicas. Aqui lhe envio um selo emitido em forma de protesto por um colono, William Bradford.
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| Fig. 2 - Pormenor do protesto de William Bradford. |
Contribuíram, ainda, outros factores, como por exemplo a obrigação de albergar e sustentar as tropas inglesas nos nossos territórios, facto que prejudica gravemente as nossas finanças.
As medidas que tomou o Parlamento Inglês são, a nossos olhos, um ultraje e espero que a situação se altere rapidamente. Se tal não acontecer, prevejo uma onda de protestos entre os nossos contra o Governo de Sua Majestade.
Sem nada mais de momento, despeço-me de si, caro amigo e espero receber notícias suas em breve.
Charles Carter
- Fonte:
ROSAS, Maria Antónia Monterroso, COUTO, Célia Pinto do, O Tempo da História, 2ª parte, 1ª edição, Porto, Porto Editora
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